"Promessas de amor
já não me interessam. Sinto informar, mas eu precisei aprender a ser como nunca
fui, eu precisei me acostumar com a antiga, porém temida, reciprocidade. Não
gosto de apenas devolver o que me trazem, prefiro poder sentir, sem medo, sem
receio, sem esperar... Observando cenas, captando olhares e ouvindo suspiros angustiados,
eu tenho maior certeza de que já não sei o limite que devo oferecer ao verbo
amar. Antes me referia ao amor como atenção e carinho, ele se fazia diferente,
fazia o bem e, por isso, recebia meu respeito e minha admiração, mas parece ter
caído no automatismo, e, nem parece mais um sentimento, anda parecendo mais obrigação.
Cansada de ver olhos carregados de lágrimas soltas por quem um dia fez tão bem,
cansada de ouvir histórias mal acabadas, eu crio todo um pensamento infantil,
em busca de finais felizes, em busca de sonhos que possam se tornar realidade.
Meus olhos não podem mais enxergar o amor como deveriam, os olhos não mais
mentem a dor que habita a gente, os olhos apenas revelam, ainda escondidos,
todas as noites a desesperança que insiste em pairar sobre meu amor, um dia tão
sincero."R.C.R.

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