domingo, 26 de maio de 2013

A cura de todo o mal!

“Nos olhos dele não havia nenhum vestígio de revolta, por mais que seu corpo, cansado por reflexos de uma vida muito bem vivida, estivesse começando a demonstrar os primeiros sinais de que precisava mesmo de um pouco mais de atenção, seus olhos carregavam sorrisos preenchidos por bobagens selecionadas durante os momentos mais sérios. Talvez por desconhecer a complexidade do que dizia ou por querer poupar quem o amava, preferiu encarar mais uma de suas dificuldades com a mesma alegria que há muito vinha distribuindo por entre seus passos. O seu organismo disparava e acelerava na tentativa de fazê-lo frear diante da pressa rotineira, seu corpo corria para alertá-lo de que angústias deveriam ser deixadas de lado. Um rosto tão calmo, uma alma tão limpa que mereciam todo o tipo de carinho e cuidado, um corpo que merecia, sim, receber a atenção que cobrava.
Inserida, pois, na medicina, me fascino com a possibilidade de cura em casos assim, me deslumbro ao imaginar jalecos aconchegantes abraçando e cuidando de quem queremos e esperamos ver com todo o bem. Me encanto com o poder ajudar de forma mais concreta, me guio pela prática observada entre mãos hábeis e sorrisos confortantes.
É verdade que não posso, ainda, agir da forma esperada, aplicando o que tanto admiro. Porém, por enquanto, posso depositar toda a minha credibilidade na fé que enxergo por entre seus olhos, por entre minhas crenças. Posso unir minha fé, à minha crença na medicina, para que juntas elas possam acertar ao pronunciar a cura de todo o mal.”
R.C.R.

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